Preciso escrever mas as ideias ainda não fluíram de forma
tão animadora. Ando com medo das palavras ultimamente. Medo de limitar-me
demais, de menosprezar sentimentos importantes e exaltar os mesquinhos, de
desenterrar mágoas, de descobrir uma realidade muito dura.
Mergulhar no universo das palavras é sedutor, mas nos faz
pensar em coisas nunca faladas e tão pouco sonhadas e, às vezes, nos remete a
lembranças inesperadas.
Respirei fundo, tomei coragem e agora eis-me aqui para
escrever não sei o quê, pra quê e por quê.
Já faz um tempo que as coisas mudaram bruscamente em mim e
ainda não consegui me adaptar a essa mudança repentina. Onde está a menina
sonhadora, sensível ao extremo, que sentia o coração apertar quando não
conseguia o que queria por mais simples que fosse? Já não me reconheço.
Mudei. E talvez essa mudança não seja lá pra melhor.
A crise tá feia. O bicho tá pegando por aqui. Quando a gente
acha que tudo está caminhando nos conformes, vem a vida e te coloca de cabeça
pra baixo. Aí, lá vamos nós tentar fincar os pés no chão, erguer a cabeça e
continuar outra vez.
Tem muita coisa acontecendo de uma vez só. Muitas
despedidas, saudades, aflições, alegrias, tristezas, preocupações. Isso é
amadurecimento? Se for, não quero amadurecer não. Essa vida de adulto não é pra
mim. Quero menos preocupações e mais motivos pra sorrir.
Nos últimos tempos, tenho achado que amadurecimento e felicidade
caminham lado a lado mas jamais se cruzam.
Nem sempre é fácil. A vida é traiçoeira – não me canso de
dizer isso. E tenho achado que ‘amigos’ também são.
Quero (e preciso) que essa crise termine logo ... Quero
renovação depois que isso passar. Ta aí a palavra chave : R-E-N-O-V-A-Ç-Ã-O.
Renovar minha lista de amigos, de sonhos, de preocupações
...
Quero tudo novo, de novo.